Exposição Infância Refugiada

O Portal Ação Humanitária juntamente com a fotográfa Karine Garzês propõem levar a Exposição Infância Refugiada para os mais diversos lugares desse Brasil.  Caso tenha interesse entre em contato pelo email: bia@acaohumanitaria.org.br 

Saiba mais::

Contexto:

As questões que envolvem o Oriente Médio despertam, ao mesmo tempo que afastam, o olhar para as diversas realidades do mundo. A dimensão da crise é alarmante quando nos deparamos com os dados: segundo estimativa da ONU, existem hoje em todo o mundo, mais de 50 milhões de refugiados. São pessoas desenraizados de seus lares e de sua cultura, cujos direitos são em sua maioria negados. E suas primeiras e maiores vítimas são as crianças e os adolescentes.

No contexto dos refugiados, tanto explorado pela mídia, ainda não se percebe à sociedade cearense refletindo de forma palpável, consistente, próxima ao assunto. Compreendemos o distanciamento geográfico por um lado, como por outro o “esquecimento” do êxodo histórico dos imigrantes climáticos movidos do interior para Fortaleza em virtude da seca.

Imersa nessa conjuntura, Karine Garcêz vivenciou e registrou a realidade dessas crianças e adolescentes refugiados em países do Oriente Médio.  Pela compreensão desse propósito vale citar que a fotógrafa é cearense da cidade de Redenção, convertida ao Islamismo há 12 anos, se dedica sobretudo ao registro de crianças e adolescentes atingidos pelos conflitos armados. Puramente desafiante, seja pela coragem em acessar ambiente hostil e de vulnerável segurança, por ser estrangeira e mulher. Estas vivências possibilitaram a Karine assimilar como a vida dos nossos jovens está próxima às dos refugiados.

A Exposição “Infância Refugiada” compreende a força da imagem enquanto fonte de estímulo e memória histórica neste assunto delicado e perturbante, bem como na relevância de  propagá-lo. Inovador pela circunstância que o envolve e pelo desafio enfrentado pela fotógrafa no registro das imagens.  Cientes que lidamos com um assunto presente, transversal, multidisciplinar, cujo paralelo nos remete de pronto aos cearenses que fogem da seca e migram para capital e se refugiam nos “campos favelas” urbanos.

Desse modo, abordar o tema do refúgio é promover o diálogo da diversidade e tolerância inter-religiosa e dos direitos de crianças e adolescentes para nível local nos imputa um importante desafio: instigar através desse produto cultural como a diversidade dos problemas globais são também locais , sobre o que nos une e nos difere, sobre os direitos conquistados e negados. Quando pensamos em propor um diálogo entre o que nos é familiar e o que nos é estranho, ocasionam um esforço de trazer antigas questões para outros caminhos, olhares e valores.

SOBRE A FOTÓGRAFA:

Convertida ao islã, meu primeiro contato com o Oriente Médio foi em visita à Arábia Saudita. Lá cumpri o Haji, a peregrinação em torno do Kaaba, repetindo passos dos profetas Adão, Abraão e Mohamed, um dos pilares de nossa fé. A vontade que senti de “congelar o instante”, quando vi 5 milhões de pessoas, de diversas cultura em torno de um único sentimento me despertou para a fotografia.

Em 2012 fui à Faixa de Gaza, onde tive minhas primeiras aulas de fotografia. Em 2014 e 2015 viajei para Síria, Líbano e Turquia, desta vez com um pouco mais de conhecimento na arte de fotografar, mais que isso, o conhecimento da cultura local, importante para que possamos ter mais flexibilidade de trabalho. Isso me fez refletir sobre como o Oriente Médio é representado pela espetacularização midiática. E, consequentemente, os refugiados também são alvos dessa abordagem.

Um outro olhar

As crianças, principais vítimas da miséria humana, nos dão sorrisos, vida, esperança no futuro. Nos mostram que por trás das marcas da guerra e das suas expressões de adulto forçadamente carregadas em seus rostos, há inocência, ainda são crianças. Meu desafio era unir meu conhecimento de Relações Internacionais, fotografia e da cultura desses povos, e denunciar o drama vivido pelos pequenos refugiados. Com o apoio dado pela Al Wafaa Campaing para as viagens, tive acesso lugares onde até mesmo Organismos Internacionais não chegavam.

Fotografar é escrever com  a luz. Que esse olhar sobre as crianças, expressões de amor, lance luz sobre a questão dos refugiados e a leve aonde merece ser discutida: no peito de cada um de nós.

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